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Brasil perde R$ 94,4 bilhões por ano com exclusão LGBT+ do mercado de trabalho

Estudo do Banco Mundial divulgado em [data], em parceria com o Instituto Matizes e o Instituto Mais Diversidade, revela que a discriminação contra pessoas LGBT+ no mercado de trabalho custa ao Brasil R$ 94,4 bilhões por ano — cerca de 0,8% do PIB. A taxa de desemprego da comunidade é de 15,2%, o dobro da média nacional de 7,7%, e os prejuízos fiscais decorrentes da exclusão somam R$ 14,6 bilhões anuais.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
Brasil perde R$ 94,4 bilhões por ano com exclusão LGBT+ do mercado de trabalho
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  • Brasil perde R$ 94,4 bilhões anuais (0,8% do PIB) com exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho
  • Taxa de desemprego de profissionais LGBT+ é de 15,2%, o dobro da média nacional de 7,6%
  • Prejuízos fiscais estimados em R$ 14,6 bilhões anuais pela menor arrecadação e maior pressão em gastos públicos
  • Estudo do Banco Mundial ouviu 11.231 participantes e identificou barreiras cumulativas criadas por discriminação
  • Plano Nacional do Trabalho Digno LGBT+ representa avanço recente para inclusão e combate à discriminação
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O custo da exclusão LGBT+ na economia brasileira

A discriminação contra pessoas LGBT+ no mercado de trabalho representa um peso significativo nas contas econômicas do país. Conforme estudo desenvolvido pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes, Instituto Mais Diversidade e um consórcio de organizações LGBT+, as perdas chegam a R$ 94,4 bilhões por ano, o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números deixam evidente que mesmo com proteções legais em vigor, a discriminação e a exclusão social relacionadas à orientação sexual e identidade de gênero continuam impondo barreiras severas no acesso e permanência no mercado de trabalho formal.

Disparidades no mercado de trabalho

A pesquisa, que reuniu informações de 11.231 participantes em meados de 2025, revela disparidades preocupantes entre profissionais LGBT+ e a população geral. A taxa de desemprego para pessoas LGBT+ chega a 15,2%, o dobro da média nacional, que é de 7,7%.

Além do desemprego mais elevado, há outro indicador alarmante: 37,4% das pessoas LGBT+ estão fora da força de trabalho, ou seja, desistiram de procurar emprego ou não estão buscando oportunidades. Na população em geral, esse percentual é de 33,4%. Essa diferença sugere que muitos profissionais LGBT+ enfrentam dificuldades tão grandes que desistem da busca por colocação.

O impacto nas contas públicas

Os prejuízos não se limitam ao setor privado. Segundo a pesquisa, os prejuízos fiscais relacionados à exclusão de pessoas LGBT+ estão estimados em R$ 14,6 bilhões anuais. Essa perda vem da combinação entre uma arrecadação menor (menos pessoas contribuindo como formalmente empregadas) e uma pressão maior sobre os gastos públicos (mais pessoas dependendo de programas de assistência).

Para contextualizar: esse montante é superior ao que muitos estados brasileiros arrecadam em impostos ao longo de um ano fiscal, evidenciando o peso significativo que a exclusão econômica impõe ao estado.

As barreiras acumulativas

De acordo com Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes e um dos porta-vozes do estudo, o resultado da pesquisa chama a atenção não apenas pelos números, mas pela natureza cumulativa da discriminação.

"A recorrente violência e os preconceitos contra a população LGBT+, à medida que se somam ao longo da trajetória de vida dessa população, criam barreiras para ingresso no mercado de trabalho que são cumulativas e persistentes", afirma Bulgarelli.

Isso significa que não se trata apenas de discriminação pontual durante um processo seletivo. As barreiras se acumulam desde a educação, passando pelo acesso a oportunidades, relacionamento com colegas e gestores, segurança no ambiente laboral, e perspectiva de carreira. Cada uma dessas barreiras se soma às anteriores, criando um ciclo difícil de romper.

Metodologia e escopo da pesquisa

O estudo intitulado "Custo econômico da exclusão baseada em orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais no mercado de trabalho brasileiro" utilizou dados coletados em meados de 2025. A pesquisa avaliou como fatores como estigma, discriminação e desigualdade afetam diretamente emprego, renda e produtividade dos profissionais brasileiros.

A participação de 11.231 pessoas conferiu robustez aos dados, permitindo extrapolações mais confiáveis para a população LGBT+ como um todo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já havia sinalizado em estudos anteriores que a exclusão econômica de minorias gera custos significativos aos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Possibilidades de avanço

Segundo informações do estudo, houve avanços recentes na agenda governamental. Um exemplo é a criação do Plano Nacional do Trabalho Digno LGBT+, uma portaria que tem como objetivo promover a inclusão, combater a discriminação e ampliar o acesso de pessoas LGBT+ a oportunidades de emprego qualificado.

Especialistas apontam que políticas públicas focadas em inclusão, capacitação e fiscalização de empresas contra discriminação podem reduzir significativamente as barreiras enfrentadas. Quando pessoas LGBT+ conseguem acessar o mercado de trabalho de forma igualitária, ganhos econômicos tendem a ser consideráveis em termos de renda agregada, consumo e arrecadação fiscal.

O impacto nas empresas

Além do aspecto humano e de direitos, a exclusão econômica representa uma perda de talento para as empresas. Profissionais LGBT+ qualificados deixam de contribuir plenamente à economia, e as organizações perdem oportunidades de diversidade que estudos comprovam melhorar inovação e resultados financeiros.

A realocação de R$ 94,4 bilhões anuais em produtividade poderia representar aumento significativo em competitividade, arrecadação de impostos e bem-estar social geral. Por isso, a redução das barreiras enfrentadas por pessoas LGBT+ no mercado de trabalho não é apenas uma questão de justiça social, mas também um imperativo econômico para o desenvolvimento sustentável do país.

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